Debater a reforma tributária e, portanto, a reforma do Estado seria abrir o jogo no que se refere a perdas e ganhos na distribuição de gastos públicos e de impostos na sociedade brasileira. Significaria, em suma, priorizar aquilo que mais compromete a democracia brasileira: a distribuição de renda.

            Ao longo de tantos planos de estabilização, desde os anos 80 tornou-se claro que a política macroeconômica não é neutra do ponto de vista da distribuição de renda.

            Tanto no plano macroeconômico (reforma do Estado,  ajuste fiscal e política de estabilização) quanto nas ações de cunho microeconômico (fiscais, financeiras e estratégicas), estão em jogo interesses de grupos econômicos, a autonomia de  administrações estaduais e municipais e, sobretudo, impactos sobre o emprego e sobre as condições sociais. Sem transparência no processo de distribuição de renda pelo Estado,  as elites governam levando à exaustão, de modo irrefletido, os mecanismos concentradores de poder e riqueza que há muito condenam o país a ser, sempre e apenas, uma retórica promessa de futuro.

Folha de S. Paulo, Editorial, 24/3/2002 (com adaptações).

Com relação às idéias do texto acima e às palavras e expressões nele utilizadas, julgue o item subseqüente.

Embora os sinais de parênteses possam, gramaticalmente, ser substituídos por vírgulas, nas duas ocorrências do texto, a substituição por vírgulas não é recomendada porque pode provocar ambigüidade, falta de clareza nas relações semânticas.