Filtrar por:

Os seus filtros aparecerão aqui.

Foi encontrada 26 questões

Uma das razões para nossas dificuldades na direção da cidadania pode ter a ver com a natureza do percurso que fizemos. No Brasil, primeiro vieram os direitos sociais, implantados em período de supressão dos direitos políticos e de redução dos direitos civis por um ditador que se tornou popular. Depois vieram os direitos políticos, de maneira também bizarra. A maior expansão do direito de voto deu-se em outro período ditatorial, em que os órgãos de representação política foram transformados em peça decorativa do regime. Finalmente, ainda hoje muitos direitos civis continuam inacessíveis à maioria da população. A pirâmide dos direitos foi colocada de cabeça para baixo.

Essa inversão traz conseqüências, sobretudo para o problema da eficácia da democracia. Uma importante é a excessiva valorização do Poder Executivo. Essa orientação para o Executivo reforça longa tradição portuguesa, ou ibérica, o patrimonialismo. Nessa visão, a ação política é sobretudo orientada para a negociação direta com o governo, sem passar pela mediação da representação. Ligada à preferência pelo Executivo está a busca por um messias político. Além da cultura política estatista, ou governista, a inversão favoreceu também uma visão corporativista dos interesses coletivos. A força do corporativismo manifestou-se mesmo durante a Constituinte de 1988. A ausência de ampla organização autônoma da sociedade faz que os interesses corporativos consigam prevalecer.

José Murilo de Carvalho. Cidadania no Brasil: o longo caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001, p. 219-23 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial e considerando os múltiplos aspectos concernentes ao tema por ele abordado, presentes no processo histórico brasileiro, julgue o item seguinte.
 
Ao destacar a inversão cronológica verificada no Brasil quanto à adoção dos direitos, o texto sugere comparação com outra referência teórica, de largo conhecimento acadêmico. No caso, trata-se da lógica da seqüência descrita por T. A. Marshall, autor que desenvolveu a distinção entre as várias dimensões da cidadania.
A respeito do problema da universalidade (dos direitos) e da concepção abstrata da cidadania e dos direitos civis e políticos, debatendo-se com as diversidades nacionais e suas diferentes modalidades de realização (ordenamentos jurídicos dos Estados nacionais) e de como se fundamentar uma concepção universal desses direitos, vinculando-se à superação das desigualdades entre os Estados (seus regimes jurídicos internos e soberania), o que ainda se tem (em parte) são, segundo Simões (2013):
Numere a COLUNA II de acordo com a COLUNA I, associando as dimensões de cidadania e política apresentadas às respectivas conceituações.
 
COLUNA I

1. Cidadania política
2. Política social
3. Cidadania social
4. Cidadania civil
 
COLUNA II
 
(  ) direitos que possibilitam a participação igualitária dos membros de uma sociedade nos seus padrões básicos de vida.

(  ) direitos que asseguram o exercício da capacidade de influir nas decisões políticas, seja diretamente por meio de atividade governamental ou associativa, seja indiretamente, por meio do voto.

(  ) conjunto de decisões e ações relativas à alocação de recursos públicos visando mitigar ou eliminar desigualdades permanentes e auto-reproduzidas, bem como assistir e fortalecer os segmentos mais vulneráveis da sociedade.

(  ) direitos necessários ao exercício da liberdade individual, como, por exemplo, o de ir e vir, de contratar, de empreender e de possuir propriedades.
 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência de números CORRETA.
Sobre o conceito de cidadania, assinale a alternativa INCORRETA.
No que se refere à cidadania, assinale a opção correta.