Comunicação e regras sociais
No limiar do século XXI, parece que a estrada para o novo milênio passa pelo Vale do Silício. Entramos na era da informação, e o futuro, ao que parece, será determinado pelas mídias. De fato, há quem diga que os modos de comunicação vêm substituindo os modos de produção como força motriz do mundo moderno. Qualquer que seja o valor dessa visão como profecia, ela não funciona como história, porque carrega uma enganosa percepção de ruptura com o passado. Eu argumentaria que toda era foi uma era da informação, cada uma à sua maneira, e que os sistemas de comunicação sempre moldaram os acontecimentos.

Robert Darnton. As notícias em Paris: uma pioneira sociedade da informação. In: Os dentes falsos de George Washington: um guia não convencional para o século XVIII. São Paulo: Companhia das letras, 2005, p. 40 (com adaptações).

Considerando o trecho acima como referência inicial, julgue o item que se segue, acerca da relação entre política, sociedade e meios de comunicação.
 
No Brasil do século XIX, as severas leis que restringiam a liberdade de imprensa e os altos índices de analfabetismo do país deram origem a uma imprensa pouco expressiva, tanto no que diz respeito ao número de títulos e às tiragens quanto à sua importância política.
Leia o texto a seguir.
 
A televisão se tornou ubíqua e está tão arraigada na rotina da vida cotidiana que a maioria das pessoas simplesmente a considera uma parte integral da vida social. Assistimos TV, falamos sobre programas com amigos e familiares, e organizamos nosso tempo de lazer em torno do horário da televisão. A ‘caixa no canto’ fica ligada enquanto estamos fazendo outras coisas e parece proporcionar um pano de fundo essencial para a vida que transcorre.
 
(Anthony Giddens. Sociologia. 6a Ed. Porto Alegre: Penso, 2012)
 
* Ubíqua – que está ou existe ao mesmo tempo em toda parte; onipresente
 
Qual o papel da mídia na sociedade contemporânea?
“Além disso, influenciado pelo isolamento relativo e cíclico a que estão sujeitas as comunidades caiçaras, desenvolveu-se uma forma de linguajar típico, com o uso de palavras somente conhecidas entre os caiçaras”.
(DIEGUES, 2004; p.21-48).
 
Assinale a alternativa incorreta acerca da afirmação acima.
Julgue o item a seguir, acerca dos modelos de explicação sociológica.
 
A teoria da ação comunicativa, em sociologia, fundamenta-se na crítica à noção de racionalidade instrumental, buscando na comunicação e na intersubjetividade a possibilidade de construção de consensos no mundo contemporâneo.
Freire (2009), no artigo “Mídia, Violência e Questão Social: a pedagogia do capital”, como parte das análises construídas no observatório de Direitos Humanos do Programa de Estudos de América Latina e Caribe (PROEALC) do Centro de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, tem como referência “o fato de que a mídia contribui para a divulgação e consequente construção de consensos de diversas representações sociais sobre violência [...]”. Ao longo de sua exposição, Freire se apoia em outros autores para detalhar “Mídia, Violência e Formas de Enfrentamento da Questão Social”. Citando Marilena Chauí (2006), adverte sobre a mídia:
 
I. Ao identificar socialmente a violência como obra do bandido, mantém a separação entre “nós brasileiros de bem” e “eles”, reforçando a ideia de que a violência se localiza em determinados grupos sociais.
II. Relaciona as questões éticas, políticas e as desigualdades sociais com a violência de forma distinta, não as considerando como forma de violência, mas, sim, elementos que demonstram a fragilidade das instituições para o enfrentamento da mesma.
 
Neste sentido, a imprensa configura-se, cada vez mais, como “parceira poderosa” do: