Clareza e Correção
A questão toma por base o seguinte fragmento de texto.

A extrema diferenciação contemporânea entre a moral, a ciência e a arte hegemônicas e a desconexão das três com a vida cotidiana desacreditaram a utopia iluminista. Não faltaram tentativas de conectar o conhecimento científico com as práticas ordinárias, a arte com a vida, as grandes doutrinas éticas com a conduta comum, mas os resultados desses movimentos foram pobres. Será então a modernidade uma causa perdida ou um projeto inconcluso?

(Nestor Garcia Canclini, Culturas Híbridas, p. 33, com adaptações)

Assinale a opção que constituiria, de maneira coerente com a argumentação e gramaticalmente correta, uma possível resposta para a pergunta final do texto.
Os fragmentos abaixo foram adaptados do texto O sentido do som, de Leonardo Sá, para compor três itens. Julgue-os quanto ao respeito às regras gramaticais do padrão culto da língua portuguesa para assinalar a opção correta a seguir.

I. A ausência de discurso é silêncio. O silêncio enquanto formador do discurso expressivo e entendido em sua forma dinâmica, em contraposição aquele que corresponde à ausência de discurso, ganha amplitude a gravidade quando passa a ser o perfil de comportamento, isto é, quando passa a ser uma atitude assumida por (e imposta a) segmentos sociais que não "discursam", mas que apenas silenciam, que exercem a expressão em dimensão mínima e deixam projetarem-se no discurso de outrem como sendo o seu discurso.

II. Em um contexto como o do Brasil, no qual há uma perversa concentração de privilégios, e no qual o acesso aos meios disponíveis é restrito, outra vez coloca-se a questão que abordamos ao falar dos silêncios: apenas alguns segmentos sociais "emitem", enquanto amplas maiorias tornam-se "silenciosas", resultando daí que as imagens acústicas encontram suporte em meios que, por razões tecnológicas e culturais, são inacessíveis às massas.

III. Por conseguinte, esse monólogo passa a gerar imagens sobre si mesmo, imagens de imagens, sem diálogo, produtos fortuitos que a indústria da cultura massifica, difunde, impõe, substitui, esquece, retoma, redimensiona, rejeita e reinventa.... As razões do "silêncio", portanto, são também razões sociais e econômicas. Neste silêncio, o que se absorve não são apenas imagens, mas também o imaginário em seu conjunto pré-delimitado, um imaginário que não identifica as fontes de suas imagens, que nem sequer se preocupa em identificá-las, que aos poucos as esquece.
 
Estão respeitadas as regras gramaticais apenas
Assinale a opção que preenche corretamente a seqüência de lacunas do texto, mantendo sua coerência textual e sua correção gramatical.

Tendo _____ unidade de análise o gênero humano no tempo, Morgan dispõe ______ sociedades humanas na história segundo graus de complexidade crescente _____________ se aproximam da civilização. Diferentes organizações sociais sucedem-se porque se superam _____ desenvolvimento de sua capacidade de _____ e de dominar a natureza, identificando vantagens biológicas e econômicas em certas formas de comportamento que são, então, instituídas ________ modos de organização social.

(Sylvia G. Garcia, Antropologia, modernidade, identidade. In: Tempo Social, vol. 5, no. 1 ? 2, com adaptações)
"A batalha para alimentar a humanidade acabou. Centenas de milhões vão morrer nas próximas décadas, apesar de todos os programas contra a fome", escreveu o biólogo americano Paul Ehrlich em seu livro A bomba populacional, de 1968. Não era à toa. O número de pessoas no mundo chegava a assustadores 3,5 bilhões e, de fato, não existia terra suficiente para alimentar todas elas.

Mas Ehrlich errou. Ele não acreditava que um daqueles programas contra a fome daria certo. Era a Revolução Verde, um movimento que começou nos anos 40. O revolucionário ali foi dotar a agricultura de duas novidades. A primeira foram os fertilizantes de laboratório. Criados no começo do século XX, esses compostos químicos permitiam maior crescimento das plantas, com três nutrientes fundamentais: nitrogênio, potássio e fósforo. A segunda novidade eram os pesticidas e herbicidas químicos, capazes de destruir insetos, fungos e outros inimigos das lavouras com uma eficiência inédita.

E o resultado não poderia ter sido melhor: com essa dupla, a produtividade das lavouras cresceu exponencialmente. Tanto que, hoje, dá para alimentar uma pessoa com o que cresce em 2 mil metros quadrados; antes, eram necessários 20 mil.

A química salvou a humanidade da fome. Mas cobrou seu preço. Os restos de fertilizantes, por exemplo, tendem a escapar para rios e lagos próximos às plantações e chegar à vegetação aquática. As algas se multiplicam a rodo e, quando finalmente morrem, sua decomposição consome o oxigênio da água, sufocando os peixes. Com os pesticidas é pior ainda. Eles não são terríveis só contra os insetos que destroem lavouras, mas também contra borboletas, pássaros e outras formas de vida. A biodiversidade ao redor das fazendas fica minguada e, quando os agricultores exageram na dose, sobram resíduos nos alimentos, toxinas que causam danos à saúde das pessoas. Diante disso, muitos consumidores partiram para uma alternativa: os alimentos orgânicos, que ignoram os pesticidas e fertilizantes químicos em nome de integrar a lavoura à natureza.

(Adaptado de Ana Gonzaga. Superinteressante, novembro 2006, p.90-92)

Considerando-se ortografia, acentuação gráfica e sinal de crase, a frase inteiramente correta é:
A fronteira da biodiversidade é azul. Atrás das ondas, mais do que em qualquer outro lugar do planeta, está o maior número de seres vivos a descobrir. Os mares parecem guardar as respostas sobre a origem da vida e uma potencial revolução para o desenvolvimento de medicamentos, cosméticos e materiais para comunicações. Sabemos mais sobre a superfície da Lua e de Marte do que do fundo do mar. Os oceanos são hoje o grande desafio para a conservação e o conhecimento da biodiversidade, e os especialistas sabem que ela é muitas vezes maior do que hoje conhecemos. Das planícies abissais -- o verdadeiro fundo do mar, que ocupa a maior parte da superfície da Terra -- vimos menos de 1%. Hoje sabemos que essa planície, antes considerada estéril, está cheia de vida. Nos últimos anos, não só se fizeram novos registros, como também se descobriram novas espécies de peixes e invertebrados marinhos -- como estrelas-do-mar, corais, lulas e crustáceos. Em relação à pesca, porém, há más notícias. Pesquisadores alertam que diversidade não é sinônimo de abundância. Há muitas espécies, mas as populações, em geral, não são grandes.

A mais ambiciosa empreitada para conhecer a biodiversidade dos oceanos é o Censo da Vida Marinha, que reúne 1.700 cientistas de 75 países e deverá estar pronto em 2010. Sua meta é inventariar toda a vida do mar, inclusive os microorganismos, grupo que representa a maior biomassa da Terra. Uma pequena arraia escura, em forma de coração, é a mais nova integrante da lista de peixes brasileiros. Ela foi coletada entre os Estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, a cerca de 900 metros de profundidade. Como muitas espécies marinhas recém-identificadas, esta também é uma habitante das trevas.

O mar oferece outros tipos de riqueza. Estudos feitos no exterior revelaram numerosas substâncias extraídas de animais marinhos e com aplicação comercial. Há substâncias de poderosa ação antiviral e até mesmo anticancerígena. Há também uma esponja cuja estrutura inspirou fibras óticas que transmitem informação com mais eficiência. Outros compostos recém-descobertos de bactérias são transformados em cremes protetores contra raios ultravioleta. Vermes que devoram ossos de baleias produzem um composto com ação detergente. Já o coral-bambu é visto como um substituto potencial para próteses ósseas.

(Adaptado de Ana Lucia Azevedo. Revista O Globo. 19 de março de 2006, p.18-21)

Descobriu-se uma nova espécie de arraia.

A arraia vive nas profundezas do oceano.

É uma prova da diversidade de espécies escondidas no fundo do mar.

Foi feita identificação recente de animais marinhos no litoral brasileiro.


As frases acima formam um único período com clareza, correção e lógica em: