Barroco (Bento Teixeira, Gregório de Matos, Pe. Antônio Viera, etc)

            A literatura brasileira do período colonial - se é que assim podia-se chamar - era uma extensão da portuguesa e recebia, via Portugal, a influência francesa, inglesa, espanhola e italiana. A situação de país colonizado explica que a questão da afirmação nacional seja central à fase de formação da literatura brasileira, que começa com o Arcadismo e se completa com o Romantismo. Ao longo do tempo, houve diferentes respostas dadas pelos escritores às questões que eles próprios se colocavam quanto à busca ou à afirmação de uma identidade nacional. Os românticos inicialmente frisaram a originalidade do Brasil, realçando a cor local em suas produções literárias. O Realismo corresponde a uma busca de objetividade ou de neutralidade do ponto de vista. A obra do carioca Machado de Assis é um marco na literatura brasileira e guarda atualidade até nossos dias. A partir da década de oitenta do século XIX, ele assume o papel central numa tradição brasileira de literatura urbana, geralmente realista e pouco orientada para o pitoresco. O Modernismo, cujo marco é a Semana de Arte Moderna de 1922, operará uma grande síntese na cultura brasileira. O Realismo, o Barroco e o Romantismo nele estão de alguma forma presentes. Vive-se no Brasil um momento de crises, de efervescência política, de imigrações, de transformações econômicas. Existe o contágio das vanguardas estéticas européias.

João Almino. "De Machado a Clarice: a força da literatura". In: Carlos Guilherme Mota (org.). Viagem Incompleta - a experiência brasileira (1500-2000): a grande transação. São Paulo: Editora SENAC, 2000, p. 45-6, 50, 52, 57-8 (com adaptações).

Com o auxílio do texto, julgue o item subseqüente, que compõem breve panorama da literatura brasileira.

Típica de uma região colonizada, o que se pode chamar de literatura colonial brasileira é um conjunto de textos variados que, partindo da descrição e informando a respeito da terra, passa pelos escritos de religiosos jesuítas - com destaque para Vieira - e chega ao Barroco; na colônia, a figura de Gregório de Matos, o Boca do Inferno, com sua obra satírica e irreverente, incomoda os poderosos e deles sofre represálias.
Aos principais da Bahia chamados os Caramurus

Há coisa como ver um Paiaiá 1
Mui prezado de ser Caramuru,
Descendente do sangue tatu,
Cujo torpe idioma é Cobepá 2?

A linha feminina é Carimá 3
Muqueca, pititinga 4, caruru,
Mingau de puba, vinho de caju
Pisado num pilão de Pirajá.

A masculina é um Aricobé 5,
Cuja filha Cobé 6, c’um branco Pai
Dormiu no promontório de Passé.

O branco é um Marau que veio aqui:
Ela é uma índia de Maré;
Cobepá, Aricobé, Cobé, Pai.

(MATOS, Gregório. Poemas escolhidos. Seleção, introdução e notas de José Miguel Wisnik. São Paulo: Cultrix, 1976, p. 100)
 
Vocabulário:

1  Paiaiá    −  Pajé.

2  Cobepá  −  dialeto da tribo cobé, que habitava as cercanias da cidade.

3  Carimá   −  bolo feito de mandioca-puba, posta de molho, utilizada para mingau.

4  Pititinga  −  espécie de peixes pequeninos.

5  Aricobé  −  cobé (nome de uma tribo de índios progenitores do Paiaiá, a que se refere o poeta).

6  Cobé     −  palavra que Gregório empregava para designar os descendentes dos indígenas, pois no seu tempo o termo tupi não estava generalizado.
 
(Referência do vocabulário: SANTOS, Luzia Aparecida Oliva dos. O percurso da indianidade
na literatura brasileira: matizes da figuração. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009, p. 303)
 
Considere o soneto para analisar as afirmativas abaixo.

I. O soneto possui características marcantes no uso dos termos da língua indígena: de um lado, a inserção do léxico tupi metaforiza uma linha constitutiva da cultura brasileira resgatando a presença do índio; de outro, o eixo alto versus baixo, que desmascara a figura do caramuru, mestiço.

II. O soneto obedece ao molde europeu no tocante à forma, mas amplia sua configuração ao inserir o universo linguístico pertencente ao nativo. Com esse recurso, o efeito do poema tira as amarras da seriedade para estabelecer o vinco principal da satírica gregoriana no que lhe compete a agressão às instituições e seus representantes pelo viés lúdico, trocando a convenção pela contestação.

III. As expressões “Descendente do sangue tatu” e “Cujo torpe idioma é cobepá?” assumem a duplicidade de função em seu significado por estarem indissoluvelmente ligadas aos elementos caracterizadores de ambas as culturas: o fidalgo possui “sangue de tatu” e seu idioma é “torpe”, “cobepá”.

IV. O último verso revela que a verdadeira origem dos principais da Bahia está na nobreza de sangue azul dos europeus. Como se pode notar, o nome Paiaiá, representante nato do sangue indígena, não é colocado entre os que nomeiam simbolicamente os descendentes.
 
Está correto o que se afirma APENAS em
No Brasil houve ecos do Barroco europeu durante os séculos XVII e XVIII: Gregório de Matos, Botelho de Oliveira, Frei Itaparica e as primeiras academias repetiram motivos e formas do barroquismo ibérico e italiano.
 
Na segunda metade do século XVIII, porém, o ciclo do ouro já daria um substrato material à arquitetura, à escultura, à literatura e à vida musical, de sorte que parece lícito falar de um "Barroco brasileiro" e, até mesmo, "mineiro", cujos exemplos mais significativos foram alguns trabalhos do Aleijadinho, de Manuel da Costa Ataíde e composições sacras de Lobo de Mesquita, Marcos Coelho e outros ainda mal identificados. Sem entrar no mérito destas obras, pois só a análise interna poderia informar sobre o seu grau de originalidade, importa lembrar que a poesia coetânea delas já não é, senão residualmente, barroca, mas rococó, arcádica e neoclássica, havendo, portanto uma discronia entre as formas expressivas, fenômeno que pode ser variavelmente explicado.
 
(BOSI, Alfredo. História concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2000, pp.34-35)
 
Do texto, infere-se sobre o “Barroco mineiro” que a partir da
O cultismo e o conceptismo são tendências literárias originariamente espanholas características do:
Sobre o Barroco, analise as afirmativas.
 
I. As principais temáticas que permeiam os versos de Gregório de Matos são: a religiosa, a satírica e a amorosa.
 
II. A prosa foi o estilo adotado por Padre Vieira para compor seus célebres sermões, destinados ao púbico que assistia às missas.
 
III. A obra Prosopopéia, de Bento Teixeira, é considerada pelos teóricos nacionais como o marco inicial do Barroco no Brasil. A obra é um poema satírico, de estilo conceptista que ironiza a vida no período colonial no Brasil.
 
Estão corretas as afirmativas