Artigo
 
            A aposentadoria tecnicamente é recolhimento, é ociosidade, e quem se aposenta espontaneanente por idade não deveria poder seguir trabalhando na mesma atividade e continuar recebendo, cumulativamente, salário e provento. O Brasil é um dos poucos países que têm aposentadoria por tempo de serviço. Dai a necessidade de fixar idade condizente com a média de vida do brasileiro e de estabelecer os tetos diferenciados. tendo em vista a especificidade de cada atividade.

            A continuidade do trabalho deveria importar na suspensão, não perda de aposentadoria, voltando-se a contribuir para se formar um pecúlio que será devolvido corrigido ao aposentado ao retirar-se definitivamente.
 
Marcelo Pimentel Correio Brasiliense, 7/2/2003 p. 5 (com adaptações)

A partir do texto acima, julgue o item.
 
Haveria maior individualização e precisão das idéias expressas por "recolhimento" e "ociosidade", se, em vez da ausência de artigo, fossem utilizados diante desses substantivos um e uma, respectivamente.

            As novas formas de tensão cultural e de identidade estão associadas, na América do Sul dos anos 90 e início do século XXI, à dramática imposição, de fora para dentro, de modelos de organização da vida material e imaterial com forte impacto negativo na afirmação de identidade da região.

            A força ideológica acoplada ao retorno ao paradigma liberal, a abertura desenfreada das economias, a negação da latino-americanidade em favor da globalização "sem riscos", bem como as reformas de estado que negaram aos seus cidadãos o acesso a bens e cultura de lastro local, entre outros fatores, estão na base da corrosão do pacto social.

José Flávio Sombra Saraiva. O Brasil no realismo mágico da América do Sul. In: UnB Revista, ano III, n.º 7, 2003 (com adaptações).

Com base no texto acima, julgue o item subseqüente.

A opção do autor pelo emprego do artigo "As" iniciando o texto deve-se ao respeito às regras gramaticais, pois sua omissão provocaria incoerência textual.
 
(Rodrigo Zoom. http://tirasnacionais.blogspot.com)

Na fala da mãe, há
A modernidade é um projeto que se produz durante o processo de desenvolvimento e queda do Antigo Regime ou das monarquias absolutas, enquanto o modernismo poderia ser datado a partir da revolução e da reação conservadora de 1848 e, finalmente, o pós-modernismo estaria datado a partir dos anos 70 do século XX, sob os efeitos das mudanças do modo de produção capitalista (a chamada sociedade pós-industrial), do esgotamento da principal manifestação política do século XX (as revoluções comunistas) e do enfraquecimento de um novo sujeito político que entrou em cena nos anos 60 do século passado (a contracultura dos movimentos sociais).

De modo bastante simplificado, o liberalismo é o pensamento predominante da modernidade; o marxismo, do modernismo; e o neoliberalismo, do pós-modernismo. Os modernos e modernistas estão convencidos de que é possível colocar o particular e o contingente sob as determinações do universal e do necessário, sem que isso os destrua em sua particularidade e contingência, mas fazendo-os ganhar sentido mediante a passagem pela universalidade e pela necessidade. Em contrapartida, os pós-modernos afirmarão a irredutibilidade do particular e do contingente e o caráter ilusório (mistificador e destrutivo) do universal e do necessário.

Se obedecermos aos critérios dos "paradigmas", diremos que o liberalismo opera com a lógica da identidade, o marxismo, com a contradição dialética, enquanto o pós-modernismo neoliberal invoca a lógica das diferenças para desfazer a antiga idéia da razão. Isso não significa que o liberalismo não tenha lidado com contradições e diferenças, mas sim que tratou as primeiras como conflito e as segundas, como diversidade; nem que o marxismo não tivesse operado com identidades e diferenças, mas sim que considerou as primeiras como aparência e as segundas, como momentos da contradição; nem, afinal, que o neoliberalismo não lide com identidades e contradições, mas sim que procura reduzir as primeiras e as segundas a ilusões racionalistas, isto é, a racionalizações da diferença. Em outras palavras, modernos e modernistas, na tensão entre essencial/acidental, efêmero/eterno, teriam feito a opção pela Essência contra a Aparência, enquanto os pós-modernos teriam feito a opção inversa, deslocando o lugar anteriormente atribuído à Ilusão.
 
Marilena Chaui. In: Ética. São Paulo: Cia. das Letras, 1992, p. 383 (com adaptações).

Com relação ao texto, julgue o item abaixo.

No trecho "a ilusões racionalistas, isto é, a racionalizações da diferença", as duas ocorrências de "a" são artigos femininos.
Mas, enquanto é lícito afirmar-se que o legislador se exprime numa linguagem livre, natural, pontilhada, aqui e ali, de símbolos técnicos, o mesmo já não se passa com o discurso do cientista do Direito. Sua linguagem, sobre ser técnica, é científica, na medida em que as proposições descritivas que emite vêm carregadas da harmonia dos sistemas presididos pela lógica clássica, com as unidades do conjunto arrumadas e escalonadas segundo critérios que observam, estritamente, os princípios da identidade, da não-contradição e do meio excluído, que são três imposições formais do pensamento no que concerne às proposições apofânticas.
Idem, Ibidem (com adaptações).

Com relação ao texto acima, julgue o item que se segue.

Ao utilizar a contração de uma preposição e um artigo indefinido em “numa”, o autor cometeu uma impropriedade gramatical inaceitável na língua culta.