A Crise Final e a Abdicação (1831)
Quando o Brasil se tornou independente, em 1822, a elite política brasileira optou por uma monarquia representativa como forma de governo, de acordo com o modelo francês da época. A Constituição de 1824, outorgada por D. Pedro I, continha todos os direitos civis e políticos reconhecidos nos países europeus. Afastava-se do sistema inglês pela adoção do Poder Moderador, que dava ao imperador grande controle no ministério.

José Murilo de Carvalho. Fundamentos da política e da sociedade brasileiras. In: Lúcia Avelar e Antônio Octávio Cintra (Orgs.). Sistema político brasileiro: uma introdução. Rio de Janeiro: Fundação Konrad-Adenauer-Stiftung; São Paulo: Fundação UNESP Ed., 2004, p. 27-8 (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial, julgue (C ou E) o item que se segue, relativo a aspectos marcantes do quadro político brasileiro nas décadas iniciais do período monárquico.
 
Criação brasileira e sem fundamentação teórica consistente, o Poder Moderador acabou por ser responsável direto pelas crises políticas que, recorrentes em todo o Primeiro Reinado, acabaram por levar D. Pedro I à abdicação.
“Um boato corre, há dias, pela cidade que tem enchido a uns de pavor, e a outros de indignação, em cujo último número me coloco”, desabafou o médico Joaquim Cândido Soares de Meirelles (1797-1868), diante do clima de pânico instaurado no Rio de Janeiro em 1831. Rumores crescentes garantiam estar em andamento, na capital do Império, uma trama conspiratória inspirada na Revolução do Haiti (1791-1825).
 
(Iuri Lapa, O Haiti é aqui?. Revista de História da Biblioteca Nacional, 03.03.2010)
 
O clima instaurado na ocasião tinha origem
PROCLAMAÇÃO em nome da Assembleia Geral aos povos do Brasil, dando conta dos acontecimentos do dia 7 de abril de 1831, e da nomeação da Regência Provisória, e recomendando o sossego e tranquilidade pública.

(...)

Brasileiros! Já não devemos corar deste nome: A Independência da nossa Pátria, as suas leis vão ser desde este dia uma realidade. O maior obstáculo, que a isso se opunha, retira-se do meio de nós; sairá de um país onde deixava o flagelo da guerra civil, em troco de um Trono que lhe demos (...)

(John Armitage, História do Brasil, p. 383 In: Ivan Alves Filho, Brasil 500 anos em documentos)

Segundo o documento, redigido por Evaristo da Veiga, a independência do Brasil tornou-se uma realidade em 1831, pois,
Uma grave crise que atingiu o país devido a um conjunto de razões, tais como:

– A dissolução da Assembleia Constituinte.
– O déficit da balança comercial, quando os gastos com as importações foram maiores que os gastos com as exportações.
– A queda no preço dos produtos primários, como algodão, couro, cacau e fumo, vítimas da concorrência mundial.
– A emissão desenfreada de moedas de cobre, ocasionando aumento generalizado dos preços de alimentos e aluguéis.
– Os pedidos de empréstimo aos banqueiros ingleses e a decretação da falência do Banco do Brasil.
– A insuficiência das rendas obtidas pelo governo por causa da taxa de apenas 15% cobrada dos produtos importados desde 1810.

(Disponível em: http://www.ufjf.br/economia/files/2008/08/apresentacoes_FEB.pdf.)
 
Todos os itens anteriormente relacionados referem-se especificamente ao contexto:
Aos sete dias do mês de abril de 1831, o então Imperador do Brasil, Dom Pedro I, abdicou do Trono. Esse ato se deu em meio a uma crise de popularidade do monarca. Entre os fatores que proporcionaram a impopularidade do Monarca estavam: